Location: Barreiro, Portugal
Year: 2018
Status: Ongoing

Mantendo uma leitura coerente que se pretende para o conjunto, na conceção da transformação das duas casas/edifícios existentes foram adotados conceitos diferenciados de acordo com as confrontações, orientações, geometrias e dimensões que as individualizam.

EDIFÍCIO 1

O edifício preserva a volumetria, escala e a proporção da fenestração da fachada norte atual que confronta com a Travessa do Hospital.

O projeto tem como conceito uma “habitação extrovertida, sem fronteiras” (virada para o exterior).

Esta denominação resulta do desenvolvimento de um objeto arquitetónico que estabelece uma grande permeabilidade entre o exterior e o seu interior, assumindo o logradouro e o seu exterior como uma “tela”, em toda a atividade da habitação. Pretende-se deste modo o esbatimento das fronteiras entre o interior e o exterior envolvente, aproveitando e trabalhando a luz natural, enquanto matéria prima da arquitectura, reveladora da plasticidade escultórica dos espaços interiores e como elemento unificador.

Esta tipologia foi desenvolvida de forma a criar uma sucessão de espaços que nos projetam para o exterior ao longo de todo o espaço social da habitação.

A organização dos espaços resulta da concentração das atividades mais privadas e noturnas (quartos e instalações sanitárias), libertando ao máximo os espaços para as outras atividades mais sociais, versáteis e diurnas (sala, cozinha e exterior-logradouro), ou seja, uma planta livre, que possibilita a alteração do seu conteúdo consoante a vontade do utilizador, aumentando a sua identificação com a casa e otimizando ao mesmo tempo a circulação.

Os diversos enfiamentos visuais acompanham a pessoa ao longo dos espaços arquitetónicos, sendo estes percecionados como um somatório unificado.

Em simultâneo o objeto arquitetónico desenvolve uma articulação entre duas temporalidades, explorando a “historia” na fachada norte que confronta com a rua e uma intervenção contemporânea na fachada sul, que confronta como logradouro.

Deste modo a fachada norte é interpretada como “casca” que transpõe a simplicidade e as formas geométricas predominantes nos alçados adjacentes da designada Zona Velha do Barreiro, com o objetivo de valorizar, respeitar e interligar o objeto com a sua envolvente de uma forma subtil.

EDIFÍCIO 2

O projeto proposto tem como conceito uma “habitação introvertida” (virada para o interior).

Esta denominação resulta da condicionante das dimensões do edifício a entrevir, desenvolvendo um objeto arquitetónico que privilegia a permeabilidade entre os seus espaços interiores, assumindo o exterior como secundário em toda a atividade da habitação. Pretende-se deste modo desenvolver um objeto arquitetónico que confira e transmita um sentimento de privacidade em relação ao exterior envolvente.

A organização dos espaços resulta da separação das atividades sociais e diurnas no piso térreo (sala, cozinha e instalação sanitária de apoio) das atividades privadas e noturnas no primeiro piso (quartos e instalação sanitária), especializando desta forma cada piso na sua função do quotidiano.

Devido ao espaço reduzido do objeto arquitetónico a tipologia foi desenvolvida de forma a criar uma sucessão de espaços utilizando a luz natural, enquanto elemento unificador dos espaços interiores da habitação.

O objeto Arquitetónico pretende estabelecer uma continuação e articulação da fachada norte do edifício 1 com o conjunto de casas existentes a nascente, transpõe a simplicidade e as formas geométricas predominantes nos alçados adjacentes da designada Zona Velha do Barreiro.

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